O Bom Pastor em João 10,1-10: Desafios para a Igreja Contemporânea
O Bom Pastor em João 10,1-10: Desafios para a Igreja Contemporânea
O evangelho segundo São João, no capítulo 10, versículos 1 a 10, apresenta a conhecida passagem do “Bom Pastor”. Esse texto, central para a compreensão do ministério pastoral no cristianismo, possui forte atualidade, especialmente para o catolicismo romano. Nele, a figura do pastor é associada diretamente a Cristo, que dá a vida pelas ovelhas.
No contexto do catolicismo romano, a liderança pastoral é frequentemente associada aos bispos e, de modo especial, ao papa. Esses clérigos são vistos como representantes do Bom Pastor na Terra. No entanto, essa interpretação não se limita à Igreja Católica Romana. Outras denominações cristãs — católicas ou não católicas, como os ortodoxos, anglicanos, veterocatólicos e protestantes — também reivindicam para si a missão de apascentar o rebanho, embora com compreensões teológicas distintas.
A liturgia desse texto bíblico, quando proclamada no rito litúrgico romano, provoca uma inquietação: é angustiante perceber a distância entre a idealização do Bom Pastor e a realidade vivida pelas lideranças religiosas. Muitos se veem comparados ao ideal evangélico, mas sem reservas para se afirmarem como “bons pastores”. Afinal, a Igreja de Cristo está inserida em um mundo marcado por divisões, disputas e fragilidades institucionais — com ou sem um pastor que corresponda plenamente ao modelo joanino.
No Brasil, onde a maioria das lideranças religiosas do campo cristão é formada por padres, bispos e pastores da tradição romana, o exercício pastoral torna-se ainda mais desafiador. Há uma tentativa constante de “retomar” o ideal do Bom Pastor, mas sem força real naquilo que a pessoa acredita ou consegue viver. O ministério, muitas vezes, é exercido em espaços públicos que se tornam estreitos como uma porta fechada — principalmente quando se trata das chamadas “igrejas históricas”. Essas comunidades, constantemente acusadas por outros grupos de não representarem a “verdadeira Igreja”, enfrentam oposição não apenas externa, mas também interna. E isso inclui anglicanos, veterocatólicos, ortodoxos, protestantes e até mesmo religiões diversas que possuem representações pastorais próprias.
Em meio a esse cenário, a pergunta que fica é: como exercer a pastoralidade inspirada no Bom Pastor de João 10, respeitando a diversidade e a legitimidade das diferentes tradições religiosas, sem cair no exclusivismo ou no desânimo? A resposta talvez esteja menos na autoridade institucional e mais na disposição de dar a vida — como fez Cristo — pelo rebanho, seja ele qual for.
Dom Jailson Rodrigues
Excelente reflexão
ResponderExcluirAmém.
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